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De olho na valorização, condomínios retrofitam áreas comuns

As remodelações dos espaços físicos, dos materiais e dos usos dos halls sociais e salões de festas, entre outros, atualizam os edifícios e lhes trazem à contemporaneidade. Ações cada vez mais comuns, elas visam a modernizar o ambiente, acompanhar tendências, suprir novas necessidades dos moradores e valorizar os imóveis.

A primeira atenção que os síndicos dão aos edifícios que administram recai sobre a recuperação das fachadas, a manutenção e modernização dos elevadores, a impermeabilização, as instalações elétricas e hidráulicas, as aragens e os investimentos em segurança, entre demais setores estruturais e/ou vitais para o funcionamento diário dos condomínios. Em um segundo momento, entra a chamada” cereja do bolo”: a revitalização dos espaços comuns como halls, salões de festa e áreas de circulação e lazer.

Mas a ação não é apenas cosmética.

A síndica Mari Ester Golin, designer de interiores, diz que a renovação das áreas comuns tem objetivos que vão além do embelezamento, também importante.

As mudanças ajudam a:

  • Adaptar os espaços à acessibilidade, o que inclui iluminação (cálculo luminotécnico);
  • Provê-los de novas funcionalidades, adequando-os a necessidades que inexistiam na época da construção dos prédios, como oferecer trocador de fraldas anexo ao salão de festas;
  • Casar a identidade do condomínio ao perfil de seus moradores, que muda ao longo do tempo;
  • Modernizar o conceito desses ambientes, atualizando-os para hábitos adquiridos há pouco tempo, como o balcão gourmet agregado ao salão de festas, o espaço teen dotado de lounge e videogames etc.;
  • Propiciar bem-estar aos usuários;
  • Valorizar os imóveis.

Cada condomínio tem um perfil, uma necessidade.

Observa Mari Ester, síndica do Edifício Marina, localizado na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, e responsável por projetos do gênero em 30 condomínios.

“Em seu próprio residencial, de 32 anos de idade, ela está promovendo a recuperação da fachada e, na sequência, modernizará o hall social, o salão de festas e o playground.
Antes, investiu em segurança, no refeitório dos funcionários, em câmeras de segurança, na iluminação, no reforço estrutural de quatro pilares da garagem, nas partes hidráulicas e no barrilete.

Quanto às áreas comuns, os pontos mais renovados pelos condomínios são:

  • Reconfiguração física dos espaços, com nova destinação à casa do zelador, a incorporação do espaço gourmet aos salões de festas e a implantação de brinquedotecas;
  • Academias de ginástica, em transição a um perfil mais profissional;
  • Troca de materiais de acabamento nos halls e salões de festas: por exemplo, ardósia e lambris de madeira saem de cena, os segundos até por exigência do Corpo de Bombeiros;
  • Instalação de acessórios (como acessibilidade), e;
  • Reformulação do paisagismo, da iluminação e decoração: o quadro pendurado na parede dá lugar à escultura agregada à alvenaria, mais resistente.

A iluminação é um dos itens que mais inova o ambiente, trazendo ainda modernização tecnológica, economia de energia, segurança patrimonial, acessibilidade e conforto. As lâmpadas devem ter um índice de reprodução de cor adequado a cada ambiente, recomenda Mari Ester. Nos halls, por exemplo, o ideal é que comportem cenários luminotécnicos distintos, contemplando as condições e usos diferenciados dos períodos da manhã, do anoitecer e ao final da noite. Já os salões de festas podem ter quatro circuitos diferentes, como luz adequada para mesa de bolo, para reuniões mais intimistas etc. “Hoje o comportamento dos moradores é outro. Eles eles querem trazer os convidados para cozinhar juntos, por isso a cozinha integrada ao ambiente”, ilustra Mari Ester.

Upgrade

Esse perfil de transformação das áreas comuns pode ser enquadrado como retrofit, observa a arquiteta Renata Marques, especializada no assunto. “Eles estão dotando esses espaços de novos usos e realidade.” O retrofit, segundo ela, envolve upgrade na funcionalidade, na manutenção, no conforto, segurança e acessibilidade, não apenas pela reconfiguração dos espaços físicos, quanto pelo emprego de materiais tecnologicamente mais modernos, eficientes e econômicos. As intervenções” agregam na valorização do imóvel, mas precisam
ser bem ponderadas, não recomendo destruir tudo, deve-se pensar na condição dos condôminos para que seu custo não seja inviável”.

A diretora da área de comercialização de Imóveis Usados do Secovi-SP, Roseli Hernandes, aponta que muitos fatores interferem sobre a decisão de compra dos clientes, “mas sem dúvida o retrofit ajuda a valorizá-los”, algo em torno de 5% a 10%. “Os tempos modernos exigem atualização dos condomínios, desde elevadores, equipamentos de segurança até áreas como salões de festas, visando a proporcionar mais conforto para as famílias e a valorização dos imóveis. Na hora de comprar um imóvel, o cliente dará preferência a um prédio com hall social com porcelanato; as melhorias que impactam sobre o visual (incluindo fachada, portaria etc.) valorizam as unidades”, analisa Roseli.

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